Retrato de Luís Lavoura

Uma coisa que me deixa perplexo em relação às diversas sanções que a União Europeia está a impôr à Rússia é a seguinte: qual é, precisamente, o objetivo delas? E sob que condições é que essas sanções poderão um dia vir a ser canceladas, isto é, terminadas?

De facto, pergunto: o que deverá a Rússia, concretamente, fazer ou deixar de fazer para que as sanções acabem?

A Rússia anexou a Crimeia. Será que a União Europeia vai terminar as sanções apenas quando a Rússia reverter essa anexação? Não creio ser esse o caso, uma vez que, mais ou menos, toda a gente hoje aceita que a anexação da Crimeia pela Rússia é irreversível. Portanto, se não é essa reversão que a União Europeia exige da parte da Rússia, o que é que exige?

Uma coisa é certa: as sanções constituem uma limitação imposta pela União Europeia à liberdade comercial de muitas empresas europeias. A liberdade é diminuída pelo poder de Estado. E, o que é mais perturbador, não parece haver quaisquer perspetivas de essas restrições à liberdade comercial terminarem. Pelo contrário, parece que elas progressivamente se agravarão, sem fim à vista. Uma vez que a União Europeia não diz à Rússia, concretamente, que condições exige para que as sanções terminem. Temos portanto em perspetiva um mundo de crescentes restrições à liberdade de comerciar entre russos e europeus. O que é mau para todos.

Resposta: Forçar a Rússia a invadir a Ucrânia...

Francisco (não verificado) on Terça, 15/07/2014 - 15:41

Parece-me inútil tentar ler um objectivo claro pela UE. Aqui é evidente que a Comissão age a mando da política externa dos EUA e a coordenação política está claramente nas mãos da NATO.

É de lastimar a secundarização da OCDE, no fim desta crise poderemos mesmo prever o desaparecimento da instituição, integrada numa outra.

Até agora apenas percebemos o óbvio a NATO tem como intenção final humilhar a Rússia e força-la a invadir a Ucrânia. A intenção de Putin é manter a integridade da Ucrânia, noutros parâmetros é verdade. A estratégia parece-me a partição da Ucrânia, fica por saber se chegados tão longe qual o tamanho da parte que será libertada para o ocidente. Ninguém pode garantir que a Rússia não vai para além de Kiev.

Entretanto percebemos que Putin quer ganhar tempo. Todas os seus passos pautam-se por tentar ganhar tempo, estamos numa estratégia de ganhar dias sobre dias e nesse aspecto Putin tem sido genial. A diplomacia russa é admirável e a questão ucraniana tem sido aproveitada para fazer avanços importantes pelo mundo fora. Hoje deverá ser acordada finalmente a criação de um banco de investimento pelos BRICAS cuja finalidade é concorrer com o Banco Mundial, FMI e provavelmente mesmo o BIS, o sucesso é tal que existem vários países interessados em comparticipar no novo banco muito para além do grupo BRICAS

Retrato de Luís Lavoura

resposta

Luís Lavoura on Terça, 15/07/2014 - 17:16

Ninguém pode garantir que a Rússia não vai para além de Kiev.

Não parece que a Rússia deseje invadir a Ucrânia. Isso ser-lhe-ia bastante caro, em termos orçamentais, militares, diplomáricos, e de sanções.

O que se observa atualmente é que a Rússia está a deixar os rebeldes do leste ucraniano cair.

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