Retrato de Luís Lavoura

Uma coisa que desde o princípio me impressionou nas imagens sobre o alegado ataque com gás venenoso na Síria é a forma arrumadinha como nos são mostrados muitos corpos de pessoas pretensamente mortas por esse gás. Vemos dezenas de corpos alinhados em filas, salas apinhadas de corpos. Eu pergunto: pretende-se que as pessoas estavam todas juntas naquela sala e morreram todas naquela posição disciplinada? Ou aquilo que vemos é apenas uma montagem de corpos previamente encontrados alhures? E, se assim é, quem nos garante que essa montagem é fidedigna?

Outra coisa que me levanta suspeitas é que já li relatos sobre o holocausto nazi, nos quais se relata que os mortos por envenenamento com gás não ficam com um aspeto nada limpo nem perfeito: sob a ação do envenenamento, as pessoas a morrer soltam frequentemente as fezes e urina, ficando bastante sujas. É claro que o gás utilizado pelos nazis não era sarin, pelo que os sintomas serão eventualmente diferentes. Mas os corpos que nos mostram da Síria estão tão limpos que faz confusão...

Talvez nao seja má ideia

O Portugues Liberal (não verificado) on Sábado, 14/09/2013 - 14:54

Talvez nao seja má ideia considerar as várias maneiras que outras culturas usam para lidar com os seus mortos. Talvez, quiçá, por uma questão de organização se alinhem os corpos por ordem alfabetica de modo aos familiares encontrarem os seus sem terem de passar por cima de corpos de outros.

Em relação `a resposta do corpo humano ao envenamento por gas parece-me completamente irrelevante comparar o que foi usado em 1940 com o que foi usado agora. A limpeza dos corpos pode obviamente tambem ter sido parte da montagem.

Retrato de Luís Lavoura

montagem

Luís Lavoura on Segunda, 16/09/2013 - 12:26

O comentário concede que as imagens mostradas são montagens, não constituem a visão direta e imediata do resultado de eventuais massacres. É precisamente para este ponto que o meu post chama a atenção: estão-nos a ser servidas montagens como se de fotografias reais se tratara.

Permito-me contrastar essas imagens com outra que vi, em 1988, em Genebra (Suíça), num pequeno cartaz em que militantes curdos exilados alertavam para o massacre com gás químico que o Iraque fizera sobre a cidade curda de Halabja. Nessa imagem que eu vi, viam-se corpos amontoados uns em cima dos outros, tal como tinham sido encontrados pelos observadores do massacre. Ali não havia montagem, havia uma realidade. À qual ninguém prestou atenção, e com a qual nenhum "ocidental" se ralou.

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