Retrato de Luís Lavoura

No domingo entre as 8 e as 9 da manhã liguei a rádio, Antena 1 (a estação que quase sempre ouço). Estavam a transmitir a missa, desliguei.

Virei-me para a televisão. Na RTP 2 estavam a transmitir o programa Eclesia sobre atividades da Igreja Católica. Mudei de canal, na RTP 1 estavam a transmitir também a missa.

Concluo que ao domingo entre as 8 e as 9 da manhã as principais estações emissoras do Estado estão todas entregues à difusão católica.

Eu aceito que essas estações transmitam programas dedicados às religiões en geral, à católica em particular. Até aceito que transmitam a missa - se bem que, num país onde, anormalmente, a Igreja dispõe de uma estação de rádio só para si, pudesse ser muito bem ser essa estação, e só ela, a transmiti-la. Mas não aceito este enfeudamento simultâneo de todos os canais públicos de mídia à religião católica.

Dá ideia que, no entendimento dos governantes portugueses, e dos gestores desses canais em particular, Portugal continua a ser um país oficialmente católico e o povo português continua a ser maioritariamente devotamente católico. Quando é sabido que hoje em dia não mais do que metade dos portugueses põe os pés na missa.

Retrato de David Moreira

Portugal é laico... mas..

David Moreira on Domingo, 17/06/2012 - 17:00

Portugal é oficialmente um estado laico. Mas ainda presta muito reverência à igreja Católica, o que a meu ver põe em causa a laicidade do estado.

O exemplo que referiste não foi um caso isolado na comunicação social estatal. Várias vezes isso ainda acontece.

Há outros exemplos, desde a simples Ordem de Cristo que Presidente da República distribui no 10 de Junho. Um estado laico a distribuir condecorações com referências religiosas é um pouco estranho, mesmo havendo justificações históricas. 

Ou ao flagrante exemplo da Concordata, um acordo entre um estado laico e um estado teocrático. Que é tudo menos relevante, como se viu, na extinção dos feriados religiosos. Um estado laico a negociar com um estado teocrático a extinção de feriados nacionais. A laicidade do estado ficou muito mal na figura.

Já é tempo de Portugal tornar-se laico a sério, e acabar com os restícios de reverência à igreja católica, mesmo admitindo que os portugueses são maioritariamente católicos, se bem que não praticantes. A laicidade de um estado premite a convivência pacífica do estado e da religião.

Mas pelo que conheço da classe política parecem muito pouco interessados nisso. E refiro-me a quase toda a classe política.    

:)

Maria de Portugal (não verificado) on Terça, 12/06/2012 - 02:52

:)

:)

Anónimo (não verificado) on Terça, 12/06/2012 - 02:50

:)

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