Retrato de Igor Caldeira

Não sei se Oeiras está mais à frente. Mas está ao rubro. Entretanto, o comandante já se demitiu. Ao que soube, previamente a este vídeo foi também divulgado um e-mail em que se acusava o mesmo comandante de um sem-fim de ilegalidades, desde as mais comezinhas até coisas bem sérias.

No entanto, é curioso como perante a ameaça de descoberta de corrupção, nem se pede a cabeça de ninguém nem as pessoas se envergonham a ponto de se demitirem. Quanto falamos de sexo, então o tom muda. Talvez não estejamos ainda numa completa inversão de valores como casos da política americana nos fazem lembrar, em que o uso de dinheiro público para alimentar empresas de amigos ou de sócios é entendido como normal e em que, pelo contrário, se perseguem presidentes após se ter contratado uma tipa que ao fim de contas é uma prostituta e que como função tinha levar o presidente do partido oposto a ter sexo com ela.

Podemos, como digo, não estar ainda aí. Mas arriscamo-nos.

É assim: podemos roubar tudo o que quisermos, corromper quantos quisermos, construir piscinas com o dinheiro de quem quisermos; mas se dois adultos consentirem em ter sexo e isso vier a público, então aí é a vergonha completa. Como princípio moral, parece-me profundamente imoral. Eu com certeza que devo vir de outro planeta para achar isto estranho.

Retrato de Filipe Melo Sousa

Feira das misérias

Filipe Melo Sousa on Sexta, 21/09/2007 - 16:20

Qual o mal do homem ter uma piscina? Pelo menos foi dinheiro bem gasto. O que me interessa a mim como contribuinte é saber que os impostos estão baixos. Que o dinheiro tenha desaparecido em actos de má gestão ou de favorecimento próprio é-me perfeitamente irrelevante. Afinal, ao eleger um autarca, interessa-me maximizar o meu proveito, e não minimizar o proveito do autarca. Mas Portugal continua amarrado a uma mentalidade de aldeia, segundo a qual se está bem desde que o vizinho enriqueça mais do que eu. Pouco importa portanto a miséria. Assim, é politicamente correcto um autarca dizer que não vai enriquecer. Que estoire o dinheiro todo desde que não seja em proveito próprio, isso já está perdoado.

Com o bem dos outros posso eu bem. Com o meu mal nem por isso.

Retrato de Filipe Melo Sousa

Por baixo do fundo falso

Filipe Melo Sousa on Quinta, 20/09/2007 - 23:21

André acredita que se pode bater bem mais no fundo. Olha em teu redor para a nossa gestão municipal. Tudo é possível. Afinal por debaixo do fundo falso encontra-se um modelo de virtude que muitos defendem. O altruísmo miserabilista é o pior dos malefícios.

Bom Filipe, defenderes o

André Escórcio ... on Quinta, 20/09/2007 - 22:58

Bom Filipe, defenderes o autoritarismo e a censura já era mau demais. Agora defenderes a corrupção sob o pretexto que para além do corrupto também um município ganha é bater no fundo.

(peço desculpa ao autor do post o meu comentário não ter nada a ver com o video mas antes com um comentário)

...

José Maria Pimentel on Quinta, 20/09/2007 - 22:30

Concordo!

Estão a tornar isto no politicamente correcto americano!

Retrato de Filipe Melo Sousa

A corrupção per si

Filipe Melo Sousa on Quinta, 20/09/2007 - 22:20

Igor, o problema não é a corrupção per si, mas antes o meio como esta afecta os contribuintes. É preferível ter um presidente de câmara com contas ilegais na suíça, que tenha transformado Oeiras num município de primeiro mundo, do que um vereador em Lisboa que é muito, muito íntegro, não tira nada em proveito próprio, mas manda parar as obras do túnel do marquês durante meio ano, e causa prejuízos gravíssimos na economia da cidade.

Em suma, prefiro o win-win, ao lose-lose.

Pensa também que quanto maior o poder do estado da economia, e quanto maior o poder de arbitragem dos burocratas, maior será a apetência das pessoa para a corrupção. Se lhes entregas um sistema que as incentiva a isso, não te podes revoltar pelo facto dos humanos serem humanos. Sê-lo-ão sempre.

Retrato de Igor Caldeira

Mais que corrupção

Igor Caldeira on Sexta, 21/09/2007 - 15:44

A questão que eu coloquei aqui não foi a corrupção em si e para além disso não referi em momento nenhum, nem pretendi fazê-lo, Isaltino Morais.
A situação é um bocado mais complicada, eu próprio não conheço muito dela mas é basicamente esta (informações não confirmadas e que simplesmente têm passado por e-mail e de boca em boca): o comandante da Polícia Municipal de Oeiras é aquilo que todos nós sabemos, e se dúvidas houvesse bastaria vermos que para ele ter o cargo que tem, tem de ter o apoio de Isaltino Morais. Se tem o apoio de Isaltino Morais, já sabemos o que ele é. Só que ele é-o a um grau que levou inclusivamente o próprio Isaltino a perguntar-lhe há uns tempos como estava a sua piscina (alegadamente construída com dinheiros da Câmara). Para Isaltino dizer o que parece que disse, podemos ver bem a qualidade da peça.

Ora, isto era do conhecimento "público". E ninguém se importava. Pelo menos, não ao ponto de o comandante ser demitido. E o facto de toda a gente saber o que ele fazia também não o incomodava a ponto de se demitir.

Agora que se "descobriu" (ou seja, que há mensagens de tlm e fotografias) que o tipo andava na pinocada com a secretária, demitiram-se os dois das suas funções.

O que eu critico, o que eu acho imoral, é achar-se mais condenável a pinocada que o roubo. Confesso que me parece uma completa inversão de valores. O que se passa entre dois adultos livres, ou seja, conscientes, é entre eles. O que se faz com o dinheiro público, isso, é de todos.

O que eu quis criticar com o meu post foi basicamente isto. Eu sei que quando se fala em Oeiras e corrupção se pensa em Isaltino. E de forma indirecta, até falamos. Mas como eu já disse num dos blogs anti-isaltino, virem gajos de outros partidos (a começar pelo PSD) dizer que os outros são muito corruptos, é ridículo. Se desfiássemos todas as coisas menos claras de pessoas dos vários partidos só em Oeiras, nunca mais sairíamos daqui. E depois tínhamos de multiplicar por 308, porque a forma de funcionamento das autarquias quase impossibilita comportamentos eticamente (quando não legalmente) não censuráveis.
A questão aqui é outra. É que seria assim fosse quem fosse o Presidente da Câmara.

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