Retrato de Luís Lavoura

No debate de ontem na Assembleia da República, a oposição, na sua totalidade, pareceu (ou fingiu) não compreender as vantagens que o novo chip automóvel, proposto pelo governo, trará em termos de segurança rodoviária. Segundo Helena Pinto, do BE, "não foi demonstrada a relação entre o chip e a segurança rodoviária" enquanto que Santos Pereira, do PSD, perguntou "Existe legitimidade em obrigar o cidadão a comprar um chip [para demonstrar que tem seguro automóvel] quando hoje pode mostrar um simples papel?"

Eu vou tentar explicar aquilo que os senhores deputados teriam a obrigação de perceber (e o governo de explicar claramente). Há hoje nas estradas portuguesas um enorme número de automóveis a circular sem seguro. Não se sabe quantos são, é claro, mas sabe-se que cada vez mais vezes são apanhados automóveis sem seguro, e que muitos casos de fuga após um desastre - notoriamente um atropelamento - estão ligados ao facto de o causador do desastre não ter seguro automóvel. Ora, o chip automóvel funcionará com tecnologia Via Verde, a qual permite que se identifique e controle o veículo a uma certa distância dele e com ele em movimento. Ou seja, para a polícia controlar se o veículo está ou não segurado, deixa de ser necessário mandar parar o veículo e pedir ao condutor os papeis. A polícia passa a poder montar, na beira de uma qualquer estrada ou rua (na qual os carros circulem a velocidade não excessiva), um dispositivo de controle dos chips dos carros que vão passando. Passa um carro e a polícia controla, sem mandar parar o carro nem incomodar o condutor, se esse carro tem seguro automóvel. Se ocasionalmente passa um carro que não esteja segurado, a polícia pode imediatamente montar-lhe, ali mesmo, uma perseguição.

O chip automóvel constitui assim um preciosíssimo auxiliar ao controle pela polícia das obrigações dos detentores de automóvel: ter seguro, fazer as inspeções periódicas obrigatórias, e pagar o imposto de circulação. A polícia passa a poder controlar estes factos diretamente sobre os automóveis em circulação, em tempo real, sem ter que os mandar parar, em qualquer rua de uma qualquer povoação. Isto constituirá um enorme progresso para a eficácia policial, um progresso para a segurança automóvel, e um alívio financeiro para aqueles condutores cumpridores que, tendo seguro, estão indiretamente a ajudar a pagar o seguro daqueles que não o têm (através do Fundo Comum de Segurança Automóvel).

E em relação ao carjacking

Luis Menezes on Sábado, 19/07/2008 - 00:09

E em relação ao carjacking permite automaticamente detectar se a viatura foi participada como roubada e imediatamente mandá-la parar e deter os presumíveis criminosos. O efeito é claramente dissuasor.

contra o carjacking não ajuda nada

Hugo Garcia on Sábado, 19/07/2008 - 13:27

A característica que define carjacking é o facto do condutor ser raptado com o veículo, logo a viatura não é dada como roubada.

Portanto, um chip ou leitura de matriculas não ajuda em nada.

ocupado...no assalto

Pimentel on Sábado, 19/07/2008 - 13:45

Carjacking é o roubo do veículo quando o veículo está ocupado, mas o condutor pode ser tirado à força do carro. Sendo assim, a viatura pode ser dada como roubada.

O Bom e o Mau

Miguel Montenegro on Sexta, 18/07/2008 - 22:27

Caro André, desta vez, ao contrário do habitual, discordo da tua opinião quando dizes:

"Aumentar a segurança implica menos sinistralidade ou acidentes menos graves, que é que o chip faz por isso?"

Conforme tu próprio reconheces, a detecção mais eficaz de quem circula com um carro não-inspeccionado vai aumentar a segurança de todos.

Em segundo lugar, estes controlos vão tornar-se mais fáceis pelo que muitas horas-trabalho de polícias vão poder ser utilizadas noutras tarefas com uma incidência directa sobre a sinistralidade.

Em terceiro lugar, há o efeito não despiciendo dos "rituais" da inspecção e do tributo sacrificial do seguro automóvel que, sendo, como são, prestados à divindade da segurança rodoviária, ajudarão a valorizar esta na consciência pública.

Finalmente, suspeito que o grupo dos condutores que circulam sem seguro e sem inspecção contribua fortemente para o contingente do grupo dos condutores agressivos e negligentes, pelo que tirar os primeiros da estrada será diminuir o número dos segundos e, por isso, diminuir a sinistralidade.

Outra questão que, essa sim, se pode levantar pertinentemente é a de saber em que medida o chip não pode ser utilizado para violar a privacidade dos utilizadores dos automóveis por piratas astutos, sejam eles quem forem. Como toda nova facilidade tecnológica, também esta tem dois lados, garantindo que, com aquilo a que se chama ingenuamente o "progresso," o bom e o mau se mantêm sempre equilibrados.

"Conforme tu próprio

André Escórcio ... on Terça, 22/07/2008 - 10:39

"Conforme tu próprio reconheces, a detecção mais eficaz de quem circula com um carro não-inspeccionado vai aumentar a segurança de todos."

Mais de 90% dos acidentes devem-se a erro humano, os restantes dividem-se entre condições do veículo e condições da via, ou seja o número de acidentes causados pelas condções do veículo é meramente residual.

À margem de ser a favor ou

André Escórcio ... on Quinta, 17/07/2008 - 12:41

À margem de ser a favor ou contra o chip, continuo sem perceber como se aumenta a segurançaa.

Aumentar a segurança implica menos sinistralidade ou acidentes menos graves, que é que o chip faz por isso?
Que é que as pessoas começarem a pagar o selo faz para que tenham menos acidentes?

Bom a inspecção até podia ter alguma relação, mas o facto é que mais de 90% dos acidentes se devem a erro humano e não às condições do veículo.

A meu ver escolheu-se o argumento errado.

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