Retrato de Luís Lavoura

Diga-se o que se disser, o Syriza que ontem ganhou as eleições na Grécia tem razão numa coisa: a dívida da Grécia necessita de ser renegociada, isto é, reestruturada. De facto, numa altura em que a inflação na Zona Euro é de 0%, não faz sentido que a Grécia tenha que pagar 3% de juros pela sua dívida. Nem isso é possível sem défices sucessivos, pois que, dado que a dívida grega é de 175% do PIB, isso corresponderia a o Estado grego ter que anualmente sugar aos contribuintes 4,25% do PIB para o enviar para o estrangeiro. É insustentável, política e financeiramente, um país como a Grécia ter um Estado a retirar-lhe todos os anos perto de 1/25 do seu PIB para o enviar para fora.

As modalidades da reestruturação devem, evidentemente, ser debatidas. Mas elas terão certamente que incluir uma diminuição substancial da taxa de juro e/ou uma redução substancial da dívida a ser paga.

Há que ver que as taxas de juro negociadas numa qualquer emissão obrigacionista a muito longo prazo constituem, de facto, uma aposta sobre qual será o nível de inflação durante esse prazo. Quando se negoceiam taxas de juro de 3% está-se a presumir que a inflação será de 2%, ainda sobrando uma recompensa líquida de 1% para o credor. Acontece, porém, que a taxa de juro efetiva na Zona Euro baixou bastante de 2%, e não faz sentido estar agora a oferecer aos credores uma recompensa líquida de 3%.

 

E é claro que o que se aplica à Grécia também se aplicará, mais cedo ou mais tarde, a Portugal.

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