É muito significativo, e é em minha opinião uma excelente notícia, que se comece a falar a sério de uma possível fusão (não apenas aliança) entre as três companhias aéreas do Brasil (TAM, uma empresa privada que, embora dominante no Brasil, não é do Estado), de Portugal (TAP) e de Angola (TAAG). (Em minha opinião deveria acrescentar-se a estas três a TACV de Cabo Verde.)
Isto é significativo porque mostra que as elites portuguesas estão progressivamente a interiorizar a ideia, bem verdadeira, de que Portugal não é verdadeiramente e unicamente um país europeu, e de que o futuro de Portugal estará muito mais na América Latina e nos países lusófonos de África do que na Europa. As elites portuguesas sempre tiveram a pretensão de comparar Portugal à França ou à Inglaterra, sempre viram na Europa o futuro e o objetivo de Portugal. Mas esse futuro é largamente ilusório, inalcançável. Portugal é, pela sua geografia, irremediavelmente o fim da Europa. E, pela sua pobreza relativa e pela mentalidade muito conservadora do seu povo, encontra-se muito mais próximo da América Latina do que da Europa Central. É bom que as eleites portuguesas reconheçam esse facto e comecem a apostar muito mais na América Latina e nos países africanos lusófonos (e também, a mais longo prazo, no Magrebe, isto é, nos países árabes a ocidente do Egito) como o espaço natural de expansão, realização e intercâmbio da economia portuguesa.
Isto pode começar pelas companhias aéreas. Uns futuros Transportes Aéreos Lusófonos (TAL) ou, talvez melhor, Transcontinental Airlines (TA), farão uma companhia aérea - que eu espero venha a ser totalmente privada, deixando de ser um permanente encargo e preocupação para o Estado português - muito forte e muito versátil. E bem assente em países onde o transporte aéreo mais futuro tem.














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