Retrato de Luís Lavoura

Foi ontem concluída a maior trafulhice feita aos consumidores portugueses nos últimos anos: a eliminação da televisão analógica de sinal aberto e sua substituição pela televisão digital terrestre (TDT).

Significativamente, essa trafulhice foi feita por ordem da União Europeia.

Foi uma trafulhice aos consumidores mais pobres. Os mais ricos ficaram imunes e nem se aperceberam, dado que em Portugal já tinham (quase) todos televisão por cabo ou via internet.

Os consumidores mais pobres tiveram que investir 45 euros num descodificador para continuarem a usufruir de televisão. Para alguns nem isso chegou, dado que o sinal da TDT não chega a todo o lado. É claro que 45 euros não é muito dinheiro na cidade. Mas na economia não-monetária de muitos lares portugueses rurais, é.

Os consumidores ganharam uma televisão melhor, sem dúvida. Infelizmente, porém, o sinal da TDT nem sempre é de grande qualidade: mesmo em Lisboa tem falhas repetitivas. Noutros locais do país, essas falhas são ainda mais frequentes, de tal forma que, por vezes, à noite pura e simplesmente não há sinal.

Noutros países da União Europeia, a transição para a TDT terá trazido benefícios aos consumidores. Em Portugal, foi uma trafulhice que só trouxe custos. A mando da UE.

O comentário anterior foi

Duarte (não verificado) on Segunda, 30/04/2012 - 14:19

O comentário anterior foi para tentar demonstrar que, por alguns não conseguirem ter acesso à TDT, nem todos (comunidade em geral) perdem, havendo mesmo um ganho maior globalmente.

Sobre o mercado, acho que está a ver as coisa ao contrário. O mercado televisivo é fraco justamente porque há pouca oferta de canais/operadores. Vejamos: mais canais leva a que o preço de colocar um anuncio na TV baixe. Se o preço baixa, mais gente/empresas/entidades tem hipótese de colocar um anuncio. Havendo mais anúncios, com maior variedade, leva a uma concorrência mais feroz. E como sabemos, com maior concorrência, os preços (em geral) têm tendência para baixar. Se há alguém que "perde" são os operadores TV actuais. Mas lá está, isso só os vai obrigar a melhorarem o serviço para recuperar os anunciantes.

A CP é um mau exemplo, porque não tem concorrência! ;-)

Meu caro, para ser claro e

Anónimo (não verificado) on Sexta, 27/04/2012 - 22:56

Meu caro, para ser claro e sucinto, você não sabe pura e simplesmente o que diz nem investiga minimamente os assuntos que comenta ....

a UE não é o problema

Duarte (não verificado) on Sexta, 27/04/2012 - 11:05

Luís, o problema não é a TDT, nem o mandato da UE. O problema é, e sempre foi, as pessoas responsáveis pela sua implementação.

No Reino Unido, a TDT (freeview) é uma realidade que só trouxe vantagens para a população. Há, obviamente, casos de pessoas que ficaram sem sinal, mas há sempre alternativa, via satélite (freesat) ou até mesmo o velho cabo.

Em Portugal, deram a licença a uma empresa com uma oferta de cabo, logo, um conflito de interesses BRUTAL, mesmo havendo candidatos independentes. Isto não é um sinal de problema da UE, mas sim de problema das pessoas envolvidas, ou mais especificamente, o PS. Digam o que disserem, o PS _É_ o partido mais corrupto de todos.

Retrato de Luís Lavoura

resposta

Luís Lavoura on Sexta, 27/04/2012 - 16:29

Obrigado pelo seu comentário esclarecedor.

Quer você dizer que a Portugal Telecom (PT), que é quem emite a TDT, não tem interesse verdadeiro em desenvolver o negócio da TDT - nomeadamente angariando mais canais para ser transmitidos em TDT - na medida em que já fornece canais através da televisão paga.

Uma explicação alternativa que eu li é a seguinte. Em Portugal a grande maior parte dos consumidores endinheirados já tinham televisão paga antes de haver TDT. Ao contrário daquilo que acontece na generalidade dos países europeus, nos quais há muitos consumidores endinheirados que não têm televisão paga, em Portugal somente consumidores da classe D - isto é, consumidores com pouco dinheiro e que consomem produtos baratos e indiferenciados - é que dependem da televisão em sinal aberto. Nessa medida, as empresas publicitárias têm pouco interesse na televisão de sinal aberto. Isso explica, em última análise, o facto de a introdução da TDT não ter levado a qualquer aumento da oferta de canais, ou seja, não ter levado a qualquer benefício para os consumidores.

Nesta explicação alternativa, a UE é na realidade culpada, na medida em que impôs a Portugal uma medida que, embora adequada ao mercado televisivo na maioria dos países da União, não era adequada à situação do mercado em Portugal.

É uma maneira de ver as

Duarte (não verificado) on Segunda, 30/04/2012 - 09:45

É uma maneira de ver as coisas. A outra é que, se não havia oferta, não havia procura. É difícil haver procura de uma coisa que não existe. Um exemplo fácil é o iPhone: não havia procura suficiente de smartphones até aparecer o iPhone. Agora, toda a gente quer ou tem um.

A imposição da UE foi a imposição de upgrade e recomendação de standard TDT. Como sabemos, haver um standard para algo só traz vantagens.

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resposta

Luís Lavoura on Segunda, 30/04/2012 - 11:47

Confesso que não percebi este último comentário.

É evidente que a União Europeia impôs um upgrade, de analógico para digital, do sinal de televisão. O digital é melhor, não só porque fornece melhor qualidade de imagem como, sobretudo, porque permite a difusão de muitos mais canais. Porém, o upgrade constitui um custo para os consumidores. Custo esse que consitui um sacrifício para todos, e que alguns até nem sequer estão em condições de pagar. A União Europeia, e o Estado português, deveriam ter tido esse fator em consideração.

Ora, o que se verifica é que, em Portugal, o upgrade apenas trouxe aos consumidores a vantagem da melhor imagem. Nem sequer trouxe o benefício de mais canais - ao contrário daquilo que aconteceu noutros países. E isso era previsível, na medida em que era sabido que, em Portugal, a televisão de sinal aberto tem uma sustentabilidade económica duvidosa, devido à fraqueza do mercado publicitário.

Temos portanto que alguns consumidores ficaram pura e simplesmente sem televisão, enquanto que outros foram forçados a suportar um custo mais ou menos avultado apenas para poderem continuar a ter o mesmo serviço mas com uma qualidade um tanto melhor.

Se isto fosse feito por qualquer companhia privada seria um escândalo, digo eu. Se, por exemplo, a CP decidisse que a partir de agora os comboios Lisboa-Porto passavam a só ter carruagens de primeira classe, e apenas quatro carruagens por comboio, de tal forma que alguns viajantes não conseguiam arranjar bilhete, e os que o conseguiam pagavam mais do que dantes, então isso seria, justamente, considerado um atentado aos direitos dos consumidores.

Acho que não respondi no

Duarte (não verificado) on Segunda, 30/04/2012 - 14:21

Acho que não respondi no thread certo... sorry...

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