Retrato de Luís Lavoura

A Câmara de Lisboa teve a excelente ideia de cortar este ano em 75% os subsídios que no ano passado, a exemplo dos anos anteriores, concedeu a 27 coletividades citadinas que, pelo mês de Junho, promovem arraiais "populares" nos seus bairros (em muitos casos, diga-se de passagem, em flagrante violação da Lei do Ruído).

As coletividades, como é natural, ameaçaram cancelar os arraiais. (Não viria mal nenhum ao mundo se o tivessem feito, digo eu.) Lamentavelmente, a Câmara de Lisboa acobardou-se e, segundo ouvi ontem à noite nas notícias da Antena 1, recuou.

Os arraiais "populares" são isto: tudo menos populares, uma subsidiocultura camarária.

Quem quer festas que as pague!

Por principio...

Stran on Segunda, 19/05/2008 - 09:59

Por principio não sou contra os subsidios. desde que o retorno para a sociedade seja positivo. Por vezes é necessário que determinada actividade seja subsidiada para continuar a subsistir e o ganho que essa actividade produz é positiva. Um bom exemplo são as actividades culturais/tradicionais. Neste exemplo concreto julgo que a cidade de Lisboa beneficia como um todo das festas populares, quer pela "imagem" quer pelas diversas actividades comerciais que giram à volta dos eventos populares.

Esta é a minha opinião por principio, no entanto como não vivemos só de principios, é importante analisar em concreto a situação de Lisboa. Este municipio está afundado em dividas, e por este motivo todos os anos grande parte dos nossos impostos são para pagar algo que usufruimos em anos anteriores (divida) e pior para juros. Desta forma a eficiência dos nossos impostos é diminuida pois é canalizado para algo que não nos traz nenhum beneficio material presentemente. Anallisando Lisboa o que seria preferivel:

- continuar a curto prazo subsidiar estas actividades e penhorar a nossa capacidade de acção de longo prazo?

- não subsidiar a curto prazo estas actividades e ganhar margem de manobra para a longo prazo investir?

Defendo a opção dois por diversos motivos. Quando uma pessoa está sobreendividada não gasta dinheiro em actividades lúdicas, gasta dinheiro em pagar as dividas pois são compromissos que aceitou e tem de respeitar. Julgo que não seria um custo muito elevado para Lisboa enquanto cidade se durante um ou dois anos não gastasse dinheiro nestas actividades. De certeza que se iria ressentir mas uma cidade como Lisboa rapidamente teria capacidade de recuperar essa perda de imagem.

Além desta questão julgo que começa a ser necessário estabelecer prioridades em termos de onde gastamos o nosso dinheiro. Será que Lisboa (e o mesmo é aplicável para o resto do país) resolveu os problemas mais importantes para se dar ao luxo de gastar dinheiro nestas actividades?

Para finalizar a temática dos subsidios, penso que a atribuição de um subsidio não implica uma desresponsabilização da entidade que a recebeu relativamente aonde aplica esse subsidio. O efeito deveria ser o contrário. É necessário analisar com rigor como é que a entidade que recebe esse subsidio o apllica e o mesmo só deve ser atribuido caso essa entidade não tenha outra forma de obter esse financiamento. Ou seja é necessário analisar a eficiência desse subsidio.

No entanto o que vemos acontecer é precisamente o contrário, quem recebe subsidios muitas vezes é desleixado e o subsidio acaba por ser gasto em coisas insignificantes e não necessárias, ou seja o subsidio acaba por servir como apoio ao consumo mais do que qualquer outra coisa.

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