No jantar liberal de Sábado, houve algumas discussões em torno do conceito de PRT - Personal Rapid Transit, tendo eu ficado em de enviar mais links e informações a várias pessoas. Em vez de o fazer por mail, escrevo aqui pois beneficiará certamente mais alguns.

O PRT, também chamado "transporte público individual" é um conceito que vem desde os anos 70, que pode (há-de, creio) revolucionar os ambientes urbanos, trazendo maior mobilidade, contribuindo para não só para a independência do petróleo mas também para uma redução do consumo de energia, redução da poluição do ar e sonora e para uma enorme melhoria da qualidade de vida nas cidades.
Quando falamos de PRT falamos de uma rede de veículos de 2 pessoas (3 no máximo), estações abertas 24h/dia sempre com veículos disponíveis, transporte directo ao destino (sem parar noutras estações), velocidades simpáticas (70-160 km/h), tipicamente em monocarril ou levitação magnética.
Várias foram as tentativas nos últimos 30 anos, mas problemas vários assombraram a implantação no terreno da tecnologia. Desde instabilidades políticas que comprometeram alguns projectos até erros crassos de concepção que fizeram os custos escalar. De qualquer maneira o conceito já foi dado como exequível por várias comissões de peritos e já há implementações em reduzida escala e alguns projectos maiores prontos para arrancar.
Agora aos links, que eles têm lá conteúdo bem melhor do que eu posso reproduzir aqui. Eis alguns:
Uma associação dedicada ao esforço colectivo para o aprofundamento dos vários projectos e implementações de PRT. Talvez não seja a mais céptica das fontes ;-) , mas ainda assim vale a pena mencioná-la, quanto mais não seja pelos estudos que lá tem.
Personal Rapid Transit quicklinks
Uma colecção de links importante.
O site do organismo público Sueco encarregado do desenvolvimento do sistema Flyway. Um manancial de informação sobre PRT, bem esmiuçado e isento, bem para além das especificidades particulares do projecto.
O meu preferido. Talvez o mais ambicioso, mas de todos os que vi, aquele que me parece resolver melhor os vários tradeoffs entre os imensos parâmetros que esta complexa tecnologia acarreta.
en.wikipedia.org/wiki/Inductrack
Um artigo sobre a tecnologia Inductrack
Inductrack é uma tecnologia de levitação magnética passiva, que em vez de utilizar ímanes super-condutores arrefecidos a nitrogénio activados externamente, usa ímanes vulgares numa configuração tal que é o próprio veículo que induz a corrente que o fará levitar. Esta "pescadinha de rabo na boca" implica um arrasto tanto menor quanto maior for a velocidade, a troco do qual se consegue a levitação do veículo, com custos de instalação, manutenção e operação muito menores comparativamente a outras tecnologias.
Julgo que isto já será o suficiente, pelo menos por agora. Qualquer dúvida, ideia, contribuição, não hesitem fazer uso dos comentários.
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as easy as it gets
Hugo Garcia on Quinta, 27/07/2006 - 19:33Para quem não quer gaastar muito tempo a investigar tem aqui uma apresentação rápida:
www.personalrapidtransit.com/
Maurits, tens aqui algumas informações sobre custos financeiros e tecnologias.
O site está impecável.
Vasco Leal Figueira on Sexta, 28/07/2006 - 19:52O site está impecável. Contudo, duas ressalvas:
É lá dito que os veículos andam em rodas (borracha sobre metal), e que têm de andar por cima e não suspensos. Não necessariamente, aliás o debate suspenso Vs apoiado continua aceso. Os veículos podem, por exemplo ser suspensos por levitação magnética.
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Vasco Leal Figueira
3ª VAga
Hugo F Garcia (não verificado) on Quarta, 26/07/2006 - 14:22Um transporte para o futuro tem que ter em perspectiva o conceito de 3ªa vaga.
1ª vaga - sociedade agrária, onde as pessoas vivem afastadas e trabalham em casa
2ª vaga - sociedade industrial, as pessoas deslocaram-se para as cidades e vivem nos arredores (transportes colectivos são os mais importantes
3ª vaga - com o desenvolvimento dos meios de comunicação as populações deslocam-se para fora das cidades e a deslocação não se dá entre as cidades principais.
Este sistema ganha (para além da questão energética), porque as pessoas podem se deslocar de qualquer ponto para qualquer outro ponto a qualquer momento.
O sistema de transportes públicos actuais implica que apenas temos um transporte se existirem mais pessoas a quererem se deslocar À mesma hora para o mesmo local.
A questão de ser indivcidual é da maior importância para que o projecto seja viável num futuro de longo prazo (daqui por mais de 15 ou 20 anos)
Já agora a questão de se chamar Transporte público individual tem a ver com uma série de problemas que os transportes publicos colectivos e os transportes privados individuais não resolvem.
Surgindo assim 2 linhas de alternativas:
Transportes publicos individuais
transportes privados colectivos (pequenas carrinhas que transportam cerca de 9 pessoas entre trajectos fundamentais em hora de ponta)
Assisti uma vez a um
Luís Lavoura on Quarta, 26/07/2006 - 08:45Assisti uma vez a um seminário de um professor aqui do Técnico sobre comboios em que ele, basicamente, defendia um sistema deste género como sendo o único viável para retirar carros às estradas, nas ligações entre cidades. Ele dizia que os comboios teriam que ser substituídos por navetes muito pequenas (com 20 lugares cada, ou coisa assim) mas que circulassem com muito mais frequência e entre muitos mais pontos. O que acontece nas ligações entre cidades é que poucas pessoas viajam, por exemplo, de Lisboa para o Porto; a maior parte das pessoas faz trajetos entre cidades secundárias, e aldeias. E nos trajetos a pessoas contam o tempo de viagem porta-a-porta, e não de uma estação para a outra. Por isso o transporte público precisa de ter uma rede muito densa, mas em que cada veículo tem pequena capacidade. Os veículos têm também que circular com grande frequência, para que não tenhamos que esperar por eles. Chegamos então a um sistema que, tendencialmente, é similar a este.
O professor em questão chama-se João Pedro André, e acaba de publicar um livro sobre o assunto.
links
Anónimo (não verificado) on Quarta, 26/07/2006 - 13:03Pesquisei mas não encontrei nada. Não tens um link para o livro, ou coisa assim?
Obrigado
O professor chama-se José
Luís Lavoura on Sexta, 28/07/2006 - 08:28O professor chama-se José Maria André, e a sua página é
http://hidrox.ist.utl.pt/jmandre/Autor/Autor.htm
Tem lá indicações sobre o livro que ele acaba de publicar.
TPI
Mariana (não verificado) on Quarta, 26/07/2006 - 08:41Muito interessante, efectivamente! A abreviatura TPI não será a melhor, mas... :-)
Obrigada, Vasco.
Mariana
Interssante!
Maurits van der... on Terça, 25/07/2006 - 21:00Um contribuição muito fixe!
Ainda não li todos os links, mas seria interessante saber o consumo de energia deste forma de transporte e os custos.
Obrigado.
Maurits
Maurits is a member of MLS, D66 and LYMEC
Bem, é leve, aerodinâmico,
Anónimo (não verificado) on Quarta, 26/07/2006 - 13:33Bem, é leve, aerodinâmico, sem atrito e usa travagem regenerativa. Os motores são de indução linear, sem peças móveis e com eficiência, se não me engano, de 90%.
Os consumos são baixos, à roda do equivalente a 1,2 l/100km, mas em electricidade (não sei o factor de conversão).
Não estou maluco
Hugo F Garcia (não verificado) on Terça, 25/07/2006 - 15:40Em primeiro lugar, obrigado Vasco.
A minha ideia afinal não era original, mas também não era disparatada.
Se não fosses tu a descobrir ainda ia demorar muito até saber que já existia.
Gostei do pormenor de teres lá colocado a designação TPI (transporte público individual). Agora já conhecemos o verdadeiro nome, mas se alguma vez contruirmos um projecto nacional já temos uma designação em português. :)
Alguma coisa me diz que ao
Filipe Melo Sousa on Terça, 25/07/2006 - 16:18Alguma coisa me diz que ao chamar-se TPI, os americanos não vão ratificar. Preferem ficar com os carros actuais.
Aprovado!
Filipe Melo Sousa on Terça, 25/07/2006 - 14:16Vasco adorei o conceito!
Nunca tinha visto desenhos, mas era exactamente isto que eu imaginava quando me contaste! Espero que avance, e depressa.
Alguma camara de uma grande cidade estudou isto a serio? Propunha trocarmos a OTA e o TGV para instalar isto em Lisboa e no Porto :)
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