Retrato de João Mendes

... e a Irlanda disse SIM!

E que Sim! Depois de um Não em que o Não ganhou com 53% dos votos (e 51% dos eleitores votaram), agora o Sim ganha com cerca de 67% dos votos (e 58% dos eleitores votaram!).

Agora é esperar pela Polónia (já se tinha comprometido a ratificar com o Sim Irlandês) e a República Checa para podermos avançar e deixar para trás estas questões institucionais durante uns tempos, dedicando-nos em vez disso a temas como a crise económica, o meio ambiente, a defesa dos direitos humanos, a defesa do comércio livre a nível global...

Claro que o Tratado de Lisboa também vai agora ser testado (assumindo que todos o ratificam). A figura do Presidente do Conselho Europeu e o Alto Representante para as Relações Externas, o "early warning mechanism" dos Parlamentos nacionais (para que fiscalizem o princípio da subsidiaridade), todos vão ser postos à prova. Mas também vamos agora ter um Parlamento Europeu com poderes em relação a 97% das áreas legislativas e vamos ver como funciona a possibilidade dada a que 1.000.000 de cidadãos europeus possam pedir à Comissão que apresente uma proposta sobre um tema específico. Finalmente acabaram também os pilares, e a União Europeia tem claramente personalidade jurídica. Vamos ver se tudo funciona como deve, que os tempos são complicados.

P. S. Lembra-me o João Cardiga de mencionar a promessa dos Conservadores ingleses de fazerem um referendo caso o tratado não tenha entrado em vigor quando eles chegarem ao poder. Noto aqui que considero vergonhoso um partido como os Tories sequer equacionar fazer isto, dado que é fazer o país voltar atrás com a palavra dada. Não me parece que cheguemos a isto, mas se chegarmos e o Sim ganhar também no Reino Unido (não é um dado adquirido), seria uma boa forma dos Tories chegarem ao poder: com uma derrota política importante. Esperemos que não chegue a isto, no entanto, que o eurocepticismo inglês não pode ser menosprezado...

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