Václav Klaus de repente lembrou-se de acrescentar uma "nota de rodapé", que ninguém sabe bem o que seja, ao Tratado de Lisboa, mais concretamente uma nota relativa à Carta de Direitos Fundamentais. David Cameron, de quem até poderia ter sido a ideia para esta gracinha, esfrega as mãos de contente.
Tanto temos um candidato a Primeiro Ministro no Reino Unido a dizer que o seu país poderá dar o dito por não dito em relação à ratificação caso ganhe as eleições, como temos um Presidente da República checa que ignora que todos os outros Estados Membros ratificaram o tratado e que este já foi aprovado por ambas as câmaras do Parlamento checo. Ambos estes senhores são conservadores, e gostam de falar de moral e bons costumes. Alguém me dirá alguma dia que moral existe em fazer um país voltar atrás com a palavra dada, no primeiro caso, e que bons costumes ditam que se faça descarrilar um tratado já ratificado em 25 dos 27 (e a Polónia já disse que ia ratificar em breve) com base numa repentinamente descoberta necessidade de incluir uma "nota de rodapé".














Não entendo mesmo...
João Cardiga on Sexta, 09/10/2009 - 11:58Nunca vi uma posição mais anti-democractica do que esta. E julgo que existe limites para o que é tolerável em politica. Que o presidente da republica checa queira "brincar" aos politicos no seu país é um problema dele. Que o mesmo queira interferir na vida dos 26 países já é completamente diferente...
Após a decisão do Tribunal Constitucional não existe qualquer margem para o presidente adiar mais a ratificação. Julgo que o que tem de ficar claro é que o presidente está a colocar em perigo a continuação da republica checa na Europa.
Quanto a Cameron, julgo que ele pode convocar à vontade o referendo, mas também espero que não se esqueça de esclarecer às pessoas as consequências de ratificar um acordo e depois romper esse acordo...
E se a UK não quer estar na UE, tudo bem, passa a ser um parceiro como deverá ser a Turquia ou os países do Magrebe...
Turquia
João Mendes on Sexta, 09/10/2009 - 14:20A Turquia já tem uma união aduaneira (finalizada, essencialmente, desde 1995) com a União Europeia e já foi aceite como candidato em pé de igualdade com outros candidatos a membro da União Europeia. A Turquia já tem uma parceria especial com a UE há quase quarenta anos, que se tem vindo a desenvolver lenta e paulatinamente, e desde 2005 que se negoceia oficialmente a sua entrada na UE, embora com um longo caminho a percorrer.
EFTA
Luís Lavoura on Sexta, 09/10/2009 - 12:11"passa a ser um parceiro como deverá ser a Turquia ou os países do Magrebe..."
Mais especificamente, os países da EFTA, que abrange a UE mais a Noruega, a Suíça e a Islândia (creio). Esses três países não fazem parte da UE mas, através da EFTA, têm comércio livre com a UE. Ou seja, não participam nas Políticas Comuns da UE, em particular nas notoriamente estúpidas e contraproducentes Políticas Comuns para a agricultura (que custa aos contribuintes europeus uma pipa de massa e os faz consumir produtos agrícolas mais caros do que no mercado mundial) e para a pesca (que delapida de peixe os mares da União de uma forma criminosa), mas têm comércio livre com a UE.
A EFTA foi muito útil para Portugal, que antes de se tornar membro da UE era já membro da EFTA. Foi esse comércio livre que permitiu que, nos anos 60 do século passado, Portugal tenha desenvolvido importantes indústrias têxtil e de calçado, que tinham acesso livre aos mercados da UE (e dos outros países da EFTA).
Luís Lavoura
Não devem ser assim tão estupidas...
João Cardiga on Sexta, 09/10/2009 - 14:40"Mais especificamente, os países da EFTA, que abrange a UE mais a Noruega, a Suíça e a Islândia (creio)."
Um pormenor: a Efta é apenas constituido por 4 países (Noruega, Islândia, Suiça e Liechestein) e não pela UE + estes 4 países.
E se a decisão dos países conta para alguma coisa então as politicas comuns da UE não devem ser assim tão estupidas pois um grande numero de países sairam da EFTA e entraram para a CEE, não tendo retornardo à Efta quando a CEE se transformou em UE...
Incluindo o Reino Unido
João Mendes on Sexta, 09/10/2009 - 14:46Incluindo o Reino Unido, que fundou a EFTA quando não o deixaram entrar na então CEE, e depois saíu da EFTA quando passaram a deixar. (Embora se admita que a PAC é péssima, e que felizmente está agora a ser algo reformulada... Ao menos isso.)
Yep...
João Cardiga on Sexta, 09/10/2009 - 17:05Yep! Mas honestamente não considero a PAC um desastre. No sector agricola existe uma area em que é necessário garantir autosuficiência e julgo que esse é um objectivo a manter...
A PAC
João Mendes on Sexta, 09/10/2009 - 18:08A PAC tem consequências nefastas não apenas no orçamento da UE, na competitividade da agricultura europeia (que é protegida de concorrência externa, e mesmo interna), e nas economias de países cuja economia dependa da agricultura e que não conseguem vender para a União Europeia (nem para os EUA, que também são pródigos em subsídios e tarifas agrícolas), um mercado importante, o que os está essencialmente a condenar à pobreza.
Ao mesmo tempo que dizemos que queremos promover o desenvolvimento internacional, estamos a criar barreiras a esse mesmo desenvolvimento em nome de um sector agrícola europeu que representa 5% da população europeia (e que contribui para aí 3,5%, e isto já é ser generoso, para o PIB europeu) e recebe 50% de todo o Orçamento da União Europeia.
Ou seja, a política agrícola comum é um entrave ao desenvolvimento económico internacional e impede que exista verdadeira concorrência no sector agrícola europeu. Por isso mesmo, eu considero que a PAC tem de se ser substancialmente alterada tendo em conta os problemas que apontei.
Mudei de opinião...
João Cardiga on Sexta, 09/10/2009 - 20:41Já tive no passado a mesma opinião que escreveste no teu comentário, no entanto episódios recentes fizeram-me questionar a minha posição. Actualmente eu não vejo a Agricultura como um simples sector económico. Para mim é um sector fundamental de uma sociedade e que não deve ser tratado como outras àreas. Uma sociedade pode viver basicamente sem nada excepto a comida e nesta àrea não me parece prudente ficarmos totalmente dependentes de outros. Além disso também acho que os solos deverão manter-se fertéis sob pena de estarmos a "esbanjar" um recurso que pode não ser recuperável (por exemplo com a desertificação).
Assim julgo que estes deverão ser os dois vectores principais de uma PAC europeia.
Está complicado... Vamos
André Escórcio ... on Sexta, 09/10/2009 - 11:53Está complicado... Vamos lá ver como corre na Polónia, supostamente o presidente polaco já se comprometeu a assinar o documento no sábado...
Polónia
João Mendes on Sexta, 09/10/2009 - 14:21Já se comprometeu e deve mesmo assinar. Subordinou a ratificação ao referendo na Irlanda, e na Polónia o apoio à UE tem níveis bastante elevados. Mesmo que pensasse apenas em política interna, o Presidente Polaco deve assinar, como prometeu. Espera-se.
Václav...
Luís Lavoura on Sexta, 09/10/2009 - 11:02... com um acento no primeiro "a". Lê-se "vááts-láv". O acento, em checo, torna o som da letra prolongado. O "c" lê-se "ts", tal como em alemão e na generalidade das línguas leste-europeias.
Václav é equivalente a Venceslau.
Luís Lavoura
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