Grandes investimentos públicos causarão sempre grande excitação e grande debate. Em Portugal, três grandes projectos têm tido particular atenção:
- nova ponte sobre o Tejo;
- TGV;
- novo aeroporto internacional de Lisboa.
Daquilo que li, o TGV parece-me um enorme elefante branco, daqueles mesmo brancos e mesmo elefantes. O facto do PSD vir agora dizer que é contra o TGV agora é-me indiferente, porque quando estavam no Governo aprovaram o projecto. O TGV não me parece elefante branco pelo nível de endividamento, parece-me elefante branco pelo próprio TGV, tecnologia que não me parece que vá ser rentabilizada para o investimento que terá de ser feito. Não sou perito na questão, no entanto, e posso ser convencido a mudar de opinião se me mostrarem razões para tal. Isso não acontecerá enquanto a questão se cingir ao PS dizer que o PSD era a favor do PSD há uns anos e o PSD dizer que agora não porque há um elevado nível de endividamento. O argumento relativo à periferia, que Portugal precisa de se ligar ao resto da Europa, não leva inexoravelmente ao TGV. É preciso fazer melhor. Porquê o TGV, especificamente, e não outra tecnologia?
Quanto ao novo aeroporto, que vai ser construído onde "jamais" o deveria ser (segundo Mário Lino), e sobre a nova ponte sobre o Tejo, não conheço os assuntos com grande profundidade, pelo que não tenho ainda posição definida. Posso dizer que me inclino para pensar que o novo aeroporto é necessário, e que Alcochete é um bom sítio. Acrescento ainda que, de qualquer forma, toda a fita que houve em volta da história do "deserto" foi ridícula e desinteressante, embora Mário Lino devesse pensar antes de dizer coisas daquelas.
Quanto à terceira ponte, não tenho poisção.
O problema para este debate sobre os grandes projectos é que agora vieram vários grupos subscrever manifestos sobre o assunto. Tenho de ler os ditos manifestos, e escreverei aqui o que pensar deles. Mas note-se que agora a discussão passa pela existência de vários manifestos sobre o assunto, e de uma série de economistas e peritos terem dito que são a favor ou que são contra. Argumentos substantivos? Nada. O que importa é que um conjunto de "peritos" vieram dar a sua opinião. E como são peritos, bom, é preciso dizer que vieram mostrar se o seu polegar está para cima ou se está para baixo.
Claro que há debates sobre o assunto, e eu assisti a alguns. Mas os telejornais focam-se, clara e principalmente, nestas questiúnculas. Isto é insatisfatório, manifestamente insatisfatório. Não é por acaso que os meios de comunicação "tradicionais" estão a perder "clientes". É óbvio que vou usar a Internet para me informar sobre todos estes assuntos. Nem há dúvida que é aí que vou encontrar o que quero e preciso.
P. S. Morreu Michael Jackson. Espero que essa morte não signifique vários dias de cobertura sobre o assunto, relegando para segundo plano temas como as eleições no Irão. Michael Jackson pode ser um "ícone" pop, e é lamentável que tenha morrido, tal como Farrah Fawcett, mas as eleições no Irão, as reformas no sistema de saúde americano e chinês e o combate à crise global em que vivemos continuam a ser os temas fundamentais a discutir. Mas o que eu espero e o que acontece são coisas diferentes. Preparem-se, pois, para um debate sobre o Michael Jackson, principalmente se viverem nos EUA.














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