Retrato de Luís Lavoura

Estão muitas pessoas muito escandalizadas com a proposta feita pelo governo alemão, explicitamente pelo chefe do Partido Democrata Livre (FDP) dele participante, Philipp Roesler, de que o orçamento grego seja colocado sob a tutela de um comissário europeu especialmente designado para esse efeito.

A mim essa proposta não me choca demasiadamente. Se a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu emprestam uma elevada quantia à Grécia, quantia sem a qual o país não poderia sobreviver (na sua forma presente), parece-me natural que essas entidades exijam ter um poder concreto sobre a forma como essa quantia vai ser gasta pela Grécia. Se essas entidades não têm confiança em que o governo grego gastará a quantia adequadamente, então é normal que exijam a retirada de alguns poderes orçamentais a esse governo.

(A título de comparação, imagine-se o que deverá o governo português fazer se, no futuro, se constatar que o Governo Regional da Madeira continua a gastar dinheiro de forma irresponsável e o faz em desobediência aos compromissos que recentemente assumiu. Obviamente, em tal caso o governo português terá o direito, de facto a obrigação, de retirar do Governo Regional da Madeira os seus poderes de gastar dinheiro como lhe apraza.)

O que já não me parece, de forma nenhuma, aceitável, é uma outra condição que, aparentemente, o governo alemão pretende impôr: que todo o dinheiro angariado pelo governo grego sob a forma de impostos sirva, antes do mais, para pagar as dívidas do Estado grego. Isso seria, para mim, impôr ao povo grego uma brutal escravatura da dívida, em que o pagamento da dívida teria primazia sobre quaisquer outras necessidades ou políticas da Grécia. Uma coisa é exigir que a Grécia procure pagar as suas dívidas, outra, muito distinta, é impôr que o pagamento das dívidas tenha primazia imediata sobre qualquer outra necessidade da Grécia.

O que choca as pessoas é que

Luís dos Santos (não verificado) on Segunda, 30/01/2012 - 22:40

O que choca as pessoas é que constantemente estas coisas vêm da Alemanha. Até se pode admitir que a Alemanha não tem um desejo consciente de tornar a Europa do Sul num protetorado germânico, mas todas as ações e palavras que emanam do Reichstag denotam uma vontade real. Até o exemplo que o Luís apresentou - quiçá inconscientemente - comparou a relação entre Madeira e o Governo de Portugal com o tipo de relação que existe entre um estado europeu e a Alemanha.

A mim choca-me é como é que com este desastre todo que se viu nos últimos 5 anos o Governo de Portugal ainda nem sequer nunca tenha considerado a saída do Euro ou UE. Nem os Comunistas que são tão apaixonados nessa causa falam disso no Parlamento. Preza o povo português tão pouco a sua autonomia que não consegue pensar num estado economicamente funcional fora do suporte financeiro europeu?

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