Relativamente a esta polémica, perguntaram-me agora mesmo o que eu penso do assunto.
A minha experiência diz-me que é pouco provável que alguém no topo da hierarquia do PS tenha dito alguma coisa directamente à Media Capital para acabar com o programa.
Vejo duas possibilidades:
- Excesso de zelo por parte da Media Capital que entendeu que não queria prejudicar o processo eleitoral com mais polémica e sofrer mais acusações e achou por bem calar a Manuela Moura Guedes;
- Algum negócio para os próximos meses que envolve o Estado e que a Media Capital, por vontade própria ou derivado de algum comentário de alguém (propositado ou não), entendeu ser melhor ficar calada.
O problema é que efectivamente à mulher de César não basta ser séria, é preciso parecê-lo e toda esta situação parece ser muito pouco séria, num timing péssimo (antes das eleições). Por muito honestas e inocentes que fossem as intenções da Media Capital, tomou a decisão no momento errado.
Já não há muito para corrigir, e quem acabou efectivamente por ficar mais prejudicado foi o PS, mas, uma coisa parece-me que vão ter que fazer: passar o documentário que tinham preparado sobre o caso Freeport e solicitar à Manuela Moura Guedes para apresentar o mesmo. Eu se fosse o Partido Socialista estava neste momento a fazer uma chamadinha ao administrador da Media Capital a exigir que passem o documentário, em horário nobre. Quando pior for o documentário, melhor, pois mostraria que (em teoria pelo menos) afinal não querem calar ninguém.
No geral, este tipo de coisas só prova para mim uma coisa: a comunicação social está demasiado concentrada em Portugal e demasiado dependente do poder político, ou por ser controlada directamente por ele, ou por estar dependente dele nos seus negócios.














A TVI
João S. Silva (não verificado) on Domingo, 06/09/2009 - 10:19Caro Miguel,
Se me permite, tenho uma visão um bocadinho mais ingénua do assunto. Ao invés de alimentar especulações sobre quem fez o quê, quando e com que objectivos, limito-me a estar grato a quem quer que tenha sido que, dentro da Prisa, deu ordem imediata de cancelamento do Jornal Nacional das sextas-feiras (até porque, citando a líder da oposição, provavelmente nunca saberemos o que é que se passou "na realidade").
Todos sabemos que o Primeiro-Ministro não era um apologista do dito e todos sabemos também que o dito não era apologista do Primeiro-Ministro. O problema, a meu ver, está relacionado com a forma como vinha sendo posta em prática a "crítica contundente" ao Governo actual e aos seus membros. Os meios de comunicação são comummente classificados como o "quarto poder". Ora, tal como qualquer um dos outros três, aos meios de comunicação deve ser exigido um absoluto respeito pelo quadro deontológico em que se enquadram, bem como por todos aqueles que, por acaso do destino ou da cor política, sejam visados nas suas, digamos, peças. Concordo que os valores da independência e da liberdade são fundamentais à prossecução das tarefas jornalísticas e de informação em geral. Todavia, ambas devem ser acompanhadas de rigor, de critérios, de qualidade e de, se me permite o termo, nível.
O Jornal Nacional não possuía, pelo menos nos parcos minutos de atenção que lhe dediquei, qualquer uma destas características. A pivot estava ao nível dos nossos "melhores" autarcas, proferindo frases sem conteúdo e comentários ofensivos da dignidade dos entrevistados (vide Marinho Pinto, por exemplo). Tudo isto entre o tremoço e o bagaço, obviamente. Os "dossiers" eram geralmente apresentados de forma pouco... independente. Raramente assumiam uma postura informativa. As teorias da conspiração eram amplamente defendidas. O Primeiro-Ministro só não foi apresentado como "the root of all evil" porque, suspeito, o termo não é suficientemente sanguinário para o público-alvo da TVI, já que dele não constam as palavras "sangue", "violação" e "Freeport".
Curiosamente, o "método analítico" da TVI parece ter contaminado a actual discussão em torno da suspensão do dito noticiário. Os nossos políticos da oposição, seja ela qual for, lambuzam-se discutindo o timing da coisa. Sempre que alguém grita censura, o BE e o PCP atingem o clímax. O CDS já deve ter ponderado várias hipóteses, entre as quais a de expôr o caso no Bulhão ou na Ribeira. Ninguém discute, porém, a necessidade de uma crítica útil, coerente e até - ouso! - irónica como forma de construção e educação da chamada "sociedade civil". Não vale a pena. Questionar a qualidade dos meios de comunicação é questionar a inteligência de cinco ou seis milhões de portugueses. Ninguém que deseje ser eleito perderá tão grande oportunidade por algo tão comezinho como isto.
Infelizmente, quando uma sociedade aceita qualquer tipo de crítica, sem pôr em causa a sua qualidade e/ou o seu formato, não está um passo mais próxima da liberdade, mas da selva.
Cumprimentos,
João Soares da Silva
Gostei deste comentário.
Luís Lavoura on Segunda, 07/09/2009 - 09:08Luís Lavoura
Eu também
André Escórcio ... on Quarta, 09/09/2009 - 10:32Eu também
E o PR lá vetou a lei da
Leonardo (não verificado) on Sexta, 04/09/2009 - 10:29E o PR lá vetou a lei da concentração dos média..
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