Retrato de João Cardiga

O meu desejo deste ano, como já escrevi foi que tivesse um ano mais liberal. E não vai ser nada fácil. Embora me pareça que o ano até vai começar bem para os liberais (finalmente existirá legislação que permita casamento entre pessoas do mesmo sexo), não me parece que a nossa cultura tenha uma mudança radical este ano.

Uma das coisas fundamentais para que isto aconteça está em nós próprios e não tanto em modelos mais ou menos liberais de sociedade. Na realidade a primeira barreira ao liberalismo reside na nossa própria forma de raciocínio, talvez o obstáculo mais difícil de ultrapassar. Não sou um profundo conhecedor das motivações da existência de tal barreira, talvez por na nossa história termos sempre tido um Estado grande, quer em monarquia ou república, ditadura ou democracia.

Um dos sintomas mais claros para mim deste raciocínio prende-se com o tipo de soluções e discussões políticas que existem. Tanto à direita como à esquerda, quer por muitos liberais ou conservadores o tema é Estado, estado, estado! E embora apresentem soluções diferentes (uns querem reforçar o papel do Estado, outros diminui-lo) a verdade é que o Estado é tema central e omnipresente.

E uma mudança no pensamento, para um pensamento mais liberal irá acarretar uma mudança de raciocínio e o abandono deste criticismo crónico que existe. Temos de começar a analisar com maior grau de profundidade e criticismo a nossa sociedade civil e a iniciativa privada. Só assim conseguiremos começar a mudar o nosso consciente (e inconsciente) social. Só assim é que começaremos a ver a iniciativa privada como uma solução, a primeira solução, e o Estado como uma solução de recurso se tudo o resto falhar.

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