A Universidade do Porto já aceitou, algo inédito em Portugal, a concurso uma candidatura estrangeira para Reitor, sendo que pode inclusivamente vir a ser considerada uma segunda candidatura estrangeira, se não for rejeitada como outras já o foram (no total a UP rejeitou cinco candidaturas estrangeiras a reitor, como a UA também já tinha feito no passado, algo que, devido ao seu elevado número é no mínimo algo suspeito). Curiosamente, se não fossem as candidaturas estrangeiras, o actual reitor da Universidade do Porto, Marques dos Santos, não teria concorrentes ao cargo (será que não há portugueses com ambição ou experiência para tal?).
Pergunto-me porque as grandes empresas nacionais também não abrem os seus processos de recrutamento ao estrangeiro, nomeadamente para os executivos de topo, em vez de restringirem as suas escolhas aos gestores nacionais. Por experiência própria (sou casado com uma estrangeira), sei que existe discriminação na selecção de recursos humanos para preencher vagas em organizações portuguesas, mesmo quando se tem perante si uma pessoa com elevadas qualificações e que fala português fluentemente. Numa economia nacional que se quer competitiva a vinda de estrangeiros com qualificações elevadas e experiêncais diferentes deveria ser recebida de braços abertos.














as condições
Luís Lavoura on Sexta, 23/04/2010 - 09:35Repare-se que os candidatos a reitor têm que, na sua candidatura, apresentar já uma proposta de orientação estratégica para a universidade para os próximos quatro anos, e uma proposta de orçamento para a universidade, incluindo fontes de receitas previstas.
Isto são condições desenhadas praticamente para excluir quaisquer candidatos que não sejam já insiders da universidade.
Acho inconcebível que uma empresa peça à partida aos candidatos à sua gestão que apresentem propostas, detalhadas até ao orçamento, daquilo que pretendem fazer. Isso é até estar a pôr o candidato derrotado a fornecer ideias para serem depois aproveitadas pelo candidato vencedor!
Parece-me óbvio, claro como água, pelo facto de haver um só concorrente nacional, por sinal oriundo da própria universidade do Porto, e pelo facto de cinco candidatos estrangeiros terem sido excluídos, que este concurso é uma farsa, um pró-forma. Tenho poucas dúvidas sobre quem irá vencer.
Mesmo o candidato estrangeiro admitido só o deve ter sido porque, apesar de terem envidado os seus melhores esforços nesse sentido, não conseguiram arranjar argumento legal para o excluírem à partida - que é o que geralmente se tenta fazer.
As universidades portuguesas são um verdadeiro nojo de corporativismo, no que aliás não se distinguem da generalidade das restantes empresas nacionais. E é por isso que este país está como está.
competitiva?!
Luís Lavoura on Sexta, 23/04/2010 - 09:01"Numa economia nacional que se quer competitiva"
Competitiva? Deixa-me rir.
A economia nacional quer-se, antes de tudo, nacional. E quer-se corporativa, não competitiva. Isso da competitividade é coisa para os maluquinhos do mérito. Nós cá temos a nossa maneira, bem portuguesa, de fazer as coisas, através da cunha, essa valiosa instituição nacional. Abaixo o mérito, vivam as cunhas!
É por isso que estamos como estamos. Porque queremos estar assim.
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