Retrato de Tiago Neves

“As economias ocidentais não agem de forma muito diferente do esquema de Madoff e os governos tornaram-se escravos dos mercados em que eles se tornaram dependentes. Alguns aspetos do sistema económico nos países industrializados assemelham-se a um gigantesco esquema Ponzi. A diferença é que esta versão é completamente legal.

Desde o aparecimento da banca comercial do sec. XIV em Itália, até aos atuais governos, o historiador britânico Niall Ferguson vê a invenção da dívida pública como "a maior revolução no mundo econômico", após a introdução do crédito pelos bancos e que serviu como base para a Ascensão do Dinheiro (também o nome da série televisiva do autor).

Sem incentivo para a responsabilidade, desde então, o Estado tem sido capaz de imprimir constantemente novos títulos, que ele usa para substituir os antigos. Dívidas não são pagas, mas "refinanciadas". Em outras palavras, eles são passados para as gerações futuras. Este truque seduz governos em tratar suas finanças com menos solenidade, e priva-as de qualquer incentivo para viver dentro de suas possibilidades.

Estes governos também forneceram como garantias: Bancos, poupanças e seguradoras, os principais compradores de títulos soberanos europeus, e não são obrigados a garantir o seu capital próprio (p. ex. território), ao contrário de empréstimos de particulares ou empresas. Os títulos têm sido tratados como "especialmente seguro" - pelo menos até agora. O Estado cria a ilusão da liberdade do risco para satisfazer sua autoindulgência.

Os governos têm invocando John Maynard Keynes, o grande economista britânico, para justificar o dinheiro emprestado que usam para estimular a economia, e ainda assim têm constantemente ignorando a consequência desagradável da equação: pagar a dívida.

Os políticos ficam todos muito felizes ao aderir a este padrão de comportamento, enquanto ao mesmo tempo, impiedosamente tiraram vantagem disso. A expansão serve principalmente um propósito: para justificar a existência de um governo.

Não é tanto uma questão de colocar um fim a especuladores ou penalizar as agências de rating. Escaramuças tais são apenas uma distração da responsabilidade que os políticos recorrem quando incorrem constantemente a novas dívidas para cobrir a dívida antiga. Mas é também da responsabilidade dos eleitores premiar tal comportamento, e dos bancos por consistentemente estarem dependentes do governo para socorrê-los sempre que desperdiçam dinheiro.”*

Quando em tempos idos as guerras externas justificavam a intervenção militar para reaver o dinheiro emprestado, que foram progressivamente substituídas pelo poder coercivo de deixar de emprestar aos Estados endividados, podemos estar de novo prestes a assistir a uma guerra convencional em que o país invasor visa assegurar pela via militar, o plano económico que já perdeu.

Falo de um virar de página no livro da História. Por coincidência, no dia em que é revelada a notícia do início de uma quimera com macacos rhesus - mistura de embriões produzindo apenas um animal que tem células provenientes dos diferentes embriões, com ADN diferente** -, termina a quimera que manteve juntos, desde os anos 70, a China e os USA (Chimerica - neologismo de Niall Ferguson). Com a retirada dos USA do Iraque e a redução de efetivos do Afeganistão, à que empregar o excedente de recursos militares. Em reação, assistimos ao intensificar da tensão no estreito de Ormuz, e hoje é publicada a notícia de que os USA redirecionam o seu interesse estratégico militar para a Ásia pelos desafios colocados por uma China em ascensão económica e militar***.
 

Fontes -

* Adaptado de http://www.spiegel.de/international/world/0,1518,806772-2,00.html

** http://www.publico.pt/Ci%C3%AAncias/nasceram-em-laboratorio-as-primeiras-quimeras-de-macacos--1527787
*** http://www.publico.pt/Mundo/barack-obama-quer-forcas-americanas-mais-ageis-e-de-atencoes-viradas-para-a-china-1527811

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