A jornalista Fernanda Câncio anda muito abespinhada com o facto de, nalguns meios de comunicação social, ser identificada como "namorada de José Sócrates". Como tem à sua livre disposição as páginas de um jornal para escrever o que lhe apetece (estatuto em voga nos jornais portugueses e que me faz imensa confusão, este de haver comentadores e, em particular, jornalistas que têm inteira liberdade de usar as páginas do jornal para escrever à sua vontade as suas opiniões sobre os mais variados assuntos, inclusivé do seu interesse puramente pessoal), escreve hoje contra a "devassa" de que a sua "vida privada" está a ser alvo.
Eu como liberal tenho a defesa da vida privada em grande apreço, e abomino especialmente a prática, hoje em dia tão em voga, de as pessoas se outorgarem o direito de fotografar os seus semelhantes em qualquer ocasião sem previamente lhes pedir autorização. Estou portanto muito sensível aos problemas levantados por Fernanda Câncio. Sou no entanto da opinião que ela não tem razão, uma vez que namorar com alguém só é "vida privada" quando é feito dentro das nossas casas ou, pelo menos, com algum recato. Quando o namoro ocorre em público e, ainda para mais, quando decorre de forma razoavelmente ostensiva, então os namorados não podem dizer que esse namoro é "vida privada" - ele passou a ser vida pública.
Ora, Fernanda Câncio aparece publicamente, inclusivé em cerimónias semi-oficiais, como quando José Sócrates acompanha o primeiro-ministro de Cabo Verde a assistir a um espetáculo no CCB, a acompanhar José Sócrates como se fôra sua esposa. Isto é deveras ostensivo. É público, qualquer pessoa que esteja nessa cerimónia semi-oficial o pode ver e vê, mesmo que não faça qualquer esforço para isso. (Estou aliás convencido de que isto é feito propositadamente por José Sócrates, com o objetivo de não aparecer publicamente como um homem só.) Não pode portanto Fernanda Câncio vir alegar que se trata de "vida privada" e muito menos que a estão a "devassar".
Respeito pela vida privada, sem dúvida. Mas quem se quer dar a esse respeito tem que ser claro em manter o recato dessa vida privada.














"(...)não há nenhuma
A.P.R.S. (não verificado) on Segunda, 23/11/2009 - 12:54"(...)não há nenhuma definição oficial de "namorado"...
Isso não é bem assim. Toda a gente sabe distinguir "namorado" de " amigo", "amor" de "amizade". Namorados, pressupõe relações amorosas, porventura sexuais. Amizade pressupõe "apenas" afeição recíproca entre duas pessoas sem comprometimento. Os jornais abusam nas inferências que fazem. E o problema é que a verdade nem sempre é o como azeite - há insinuações que ficam coladas para toda a vida.
resposta
Luís Lavoura on Segunda, 23/11/2009 - 16:39Que os jornais abusam, não há dúvida. E eu pessoalmente até sou da opinião de que Fernanda Câncio e José Sócrates não são namorados coisa nenhuma. A minha opinião é que são dois homossexuais e que ela lhe faz companhia apenas para ele não aparecer publicamente, nas suas funções governamentais, como um homem solteiro. Mas isso é a minha opinião pessoal, que eu tenho direito a comentar como qualquer outra pessoa tem.
Eu sou radicalmente a favor da liberdade de expressão, e de que os jornais têm o direito a abusar.
Sobre a verdade, estou convencido de que ela efetivamente é como o azeite: acaba sempre por vir à tona.
Luís Lavoura
um qualquer
Mafalda Espírito Santo da Cunha (não verificado) on Domingo, 22/11/2009 - 23:07Luís Lavoura:
Espanta-me que alguém com a sua idade (e com crianças pequenas) tenha tempo para a lida da casa e, ainda, para andar sempre a borboletear por esses blogs chiques e culturais, a lançar as suas pérolas de cultura
O menino não terá uma roupinha por passar a ferro? Um chão para limpar? Um jantarinho por fazer? Uma criancinha para dar banho?
Está-me cá a parecer, que esta noite, a sua companheira vai deleitar-se com uma boa sessão de spanking aí no seu lombo...
By the way, caso não tenha reparado, há muito que a Câncio ganhou o estatuto de VIP DESLUMBRADA, portanto daquelas bandas já nada me espanta.
Trurelo
resposta
Luís Lavoura on Segunda, 23/11/2009 - 10:21Lá em casa sou sempre eu que cozinho as refeições. Nunca estou ao computador nas horas de preparar refeições.
Não convem as pessoas em geral tomarem banhos com muita frequência, faz mal à pele. Os meus filhos tomam dois ou três banhos por semana, geralmente depois da aula de natação na piscina, porque lá a água quente é de borla, ou antes, já está paga. Em casa raramente tomam banho. O mais velho toma-o sozinho, ao mais novo costumo ser eu a dar, outras vezes a mãe.
O chão da casa é aspirado uma vez por semana, geralmente por mim, na manhã de sábado.
Pôr a roupa na máquina, e pendurá-la a secar, faz-se num instante.
Passar a ferro, só mesmo as minhas camisas, fá-lo a minha mulher. Todo o resto da roupa não é passada, é apenas esticada antes de ser posta a secar.
Luís Lavoura
Acaso FCâncio disse-se,
Anónimo (não verificado) on Domingo, 22/11/2009 - 17:22Acaso FCâncio disse-se, "não sou namorada, somos apenas amigos", causaria um grande desapontamento em Sócrates. É que Sócrates anda há anos a arrastar-lhe a asa, sem grande sucesso, é certo, mas ainda não perdeu a esperança. FCâncio nunca lhe faria essa desfeita de publicamente negar a relação amorosa por que tanto anseia. Ou seja, Câncio está encurralada.
Os jornais não podem lançar suspeitas sem fundamento. Muitas vezes o visado não pode negar essas suspeitas, sob pena dessa negação lhe acarretar dissabores.
resposta
Luís Lavoura on Domingo, 22/11/2009 - 17:41Eu não sei se concordo que os jornais não possam lançar suspeitas sem fundamento. De facto, se as suspeitas forem mesmo destituídas de fundamento, mais tarde ou mais cedo esse facto tornar-se-á evidente, pelo que não vale a pena proibir os jornais de fazer seja o que fôr.
Neste caso, no entanto, as suspeitas têm fundamento. É claro que não há nenhuma definição oficial de "namorado", pelo que podemos passar aqui o resto do ano a debater se são ou não são namorados por fazerem isto ou aquilo. Há no entanto, certamente, fundamentos reais e públicos para que se diga que o são.
Luís Lavoura
A Fernanda Câncio e o José
Flanger (não verificado) on Sábado, 21/11/2009 - 16:34A Fernanda Câncio e o José Sócrates são amigos apenas. Nem só os namorados têm por hábito ir ao cinema juntos - os amigos também o fazem. De resto, ainda ninguém viu Sócrates beijar a FCâncio. Ou seja, concluir que são namorados é um abuso inaceitável.
resposta
Luís Lavoura on Domingo, 22/11/2009 - 15:02"concluir que são namorados é um abuso inaceitável"
Pois é. E depois? Se Fernanda Câncio não se considera namorada de José Sócrates, tem o direito de o afirmar publicamente (o jornal publica-lhe tudo o que ela quiser!). Tem o direito de dizer "não sou namorada, somos apenas amigos". Mas não é isso que ela faz. Ela protesta em geral contra o que considera ser "uma devassa" da "vida privada".
Luís Lavoura
Hm
João Mendes on Domingo, 22/11/2009 - 16:43Coisa que, aliás, também pode e tem legitimidade para fazer... Tem toda a legitimidade de considerar aquilo uma devassa da sua vida privada, e tem todo o direito de protestar contra aquilo que considera uma devassa.
resposta
Luís Lavoura on Domingo, 22/11/2009 - 17:36Câncio tem legitimidade para considerar aquilo vida privada. Mas não tem legitimidade para procurar impedir ou castigar, por meios judiciais ou outros, a publicação de seja o que fôr. E é isso que ela também tentou fazer.
Luís Lavoura
Portanto
João Mendes on Domingo, 22/11/2009 - 18:36Porque?
Quem disse que ela é namorada?
João Cardiga on Sexta, 20/11/2009 - 18:11Julgo que o teu raciocinio tem uma falha: ainda ninguém confirmou esse relacionamento. Isto é não se fala de um facto mas sim de "fofoca". Não me parece que uma pessoa deve ser alvo particular e muito menos da imprensa profissional.
Além de ser um atestado de menoridade à pessoa ser tratado como "X de..." contantemente.
Para mim é pura mesquinhez dos portugueses...
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Luís Lavoura on Domingo, 22/11/2009 - 15:07Claro que é fofoca. E depois? A fofoca é livre. O jornal tem o direito de escrever que são namorados. E eles têm o direito de o negar, se lhes apetecer. A liberdade de expressão está garantida. Isso é importante. Isso é fundamental. O que ela não deve é procutar impedir o jornal de escrever uma coisa que parece ser verdade, a avaliar pelo que está à vista de todos.
É verdade que é atestado de menoridade a Fernanda Cãncio tratá-la apenas como a namorada de José Sócrates. E nesse ponto ela tem toda a razão em protestar. Mas o meu post não é sobre isso.
Luís Lavoura
E depois...
João Cardiga on Segunda, 23/11/2009 - 15:33E depois podes causar muitos danos à vida de uma pessoa.
A minha questão é se uma pessoa/entidade pode ou não prejudicar outra pessoa com base num rumor?
E se uma pessoa não deve de ser livre de fazer o que quer da sua vida privada sem que outros comentem publicamente?
resposta
Luís Lavoura on Segunda, 23/11/2009 - 16:34Tu não podes - nem deves tentar - impedir os outros de comentar publicamente. Mesmo que esses comentários te causem dano.
O facto é que José Sócrates e Fernanda Câncio serem "namorados" é publicamente comentado. As pessoas têm o direito de comentar publicamente aquilo que vêem, de lhe dar a sua interpretação. Nem Fernanda Câncio nem José Sócrates têm o direito de procurar impedir as pessoas de, em público ou em privado, falarem publicamente deles, e darem as interpretações que acharem convenientes às atuações deles.
No caso vertente, e regressando ao assunto do post, tu tens uma atuação pública e notória (irem juntos a espetáculos, etc) de F.C. e J.S.. As pessoas têm o direito de falar dessa atuação e de lhe darem a interpretação que consideram mais correta. F.C. e J.S. não têm nada que protestar contra esses comentários, pois as pessoas que comentam estão no seu direito. F.C. e J.S. o que podem fazer é, ou desmentir (corrigir) esses comentários (por exemplo, vindo a público dizer que não são namorados), ou deixar de ter as atuações públicas e notórias que lhes dão azo.
Luís Lavoura
Ponto de princípio
João Mendes on Segunda, 23/11/2009 - 17:15Desculpa lá, mas vamos ao ponto de princípio - "mesmo que os outros te causem dano"? A regra é que a minha liberdade acaba quando começa a liberdade dos outros. A regra é que não se pode alegremente e impunemente causar dano aos outros. Neste caso, não se pode impedir as pessoas de comentar, e claro que se tem o direito de desmentir. Mas se é claro que houve dano causado, então deve haver direito à reparação desse dano. Podemos concordar que o teste de difamação deve ser estrito, e que não deve haver restrições ao discurso político, mas daí a não existir qualquer acção de difamação vai o passo que distingue uma sociedade liberal de uma salganhada total.
resposta
Luís Lavoura on Terça, 24/11/2009 - 09:57Desde que haja prova provada do dano causado, incluindo um cálculo concreto do seu valor financeiro, estou de acordo.
O problema é que na maior parte dos casos se fala abstratamente de "danos morais" ou "não patrimoniais". Ou seja, danos indemonstráveis e não quantificáveis. Entramos no reino da arbitrariedade. A liberdade de expressão é coartada com base em danos abstratos, não provados e não quantificados.
Se por exemplo uma difamação leva a que tu sejas despedido do teu emprego, há um dano concreto e quantificável (o teu salário). Mas (feliamente) usualmente não é disso que se trata.
Luís Lavoura
concordo com o João Cardiga
Hugo Garcia on Sexta, 20/11/2009 - 23:01Concordo com os dois argumentos do João.
Até porque quando li o referido artigo da jornalista Fernanda Câncio não achei que se tratasse de se sentir "abespinhada", mas sim de estar a defender os seus direitos e considero também que se justificou muito bem.
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