Nunca me identifiquei como socialista nem gosto particularmente do PS, mas os elogios merecidos também devem ser dados, mesmo quando aos “adversários” e para mim este governo foi o melhor governo que eu alguma vez vi a trabalhar em Portugal.

Bem, a minha memória não irá muito longe já que a minha consciência política data apenas dos governos de Cavaco Silva, mas penso que os imediatamente anteriores também não foram muito melhores.

O mandato de Sócrates que agora chega ao fim teve alguns falhanços notórios: a avaliação dos professores ainda não teve sucesso, o governo subiu o imposto em vez de descer como tinha prometido e devido em parte a questões incontroláveis não conseguiu atingir a meta dos 150 000 empregos. Tenho também pena que tenha caído o inicial ministro das finanças Campos e Cunha.

Mas este foi o único governo que teve uma visão estratégica no verdadeiro sentido da palavra.

Se estratégia é a arte de pensar o conflito no longo prazo, uma visão estratégica é uma orientação para a competitividade do país no longo prazo.
Por longo prazo, entenda-se para além do horizonte da mudança. Isto significa que o longo prazo de um contexto inter-nações é diferente do contexto inter-empresas.

Fica então a pergunta: o que se pode fazer hoje para tornar o país competitivo em 2025?

James Canton é um dos consultores mais conceituados nesta área, tendo como currículo 30 anos na Casa Branca. Canton, na sua obra de referência “Extreme Futures” identifica os principais factores de competitividade das nações para os próximos anos: guerra dos talentos, energias alternativas, nano-tecnologias e literacia informática.

Para atrair os talentos foi criado o MIT-Portugal. Nas energias alternativas os investimentos foram diversos e inquestionáveis. Para as nano-tecnologias foi criado em Braga o Centro Ibérico de Nano-tecnologias. E para combater a info-exclusão todas as crianças são introduzidas à informática desde a primária.

O trabalho que este governo fez baseado em visão estratégica é inquestionável. É visível e se por um lado, Portugal ainda tem problemas estruturais a nível estratégico está bem posicionado.

Dentro da área do turismo foi também corrigido o erro crasso de tentar atrair o turismo barato. O turismo que interessa é o de classes mais altas e o de cultura e esta é a nova perspectiva.

Mas não aceitem a minha análise sobre o assunto.

Aconselho o artigo de Manuel Pinho (a figura deste governo na minha perspectiva ), do suplemento de economia do Expresso do passado 5 de Setembro e confrontem com o autor James Canton.

Não sei se Pinho leu ele próprio o livro, mas tenho a certeza que as pessoas que o aconselham leram.

Nestas eleições não irei votar baseado em ideologia, mas sim recompensar o que considero um trabalho bem feito.

Retrato de Luís Lavoura

Excelente post

Luís Lavoura on Terça, 15/09/2009 - 14:53

Concordo com praticamente tudo, exceto na decisão quanto ao sentido do meu voto.

"este governo foi o melhor governo que eu alguma vez vi a trabalhar em Portugal"

Sou bem mais velho do que o Hugo e posso afiançar que ele tem razão em relação a, pelo menos, os últimos 25 anos.

Luís Lavoura

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